súplica.
Mantenha seu olhar calmo e turvo
de forma constante
Mantenha-se de perfil
vista seu sorriso mais lúcido
constantemente
Mecha por vezes em seu cabelo
desde a testa até a nuca
e mantenha-se constante
Diga besteira fique rubro
de forma constante
Navegue em minha áurea gentilmente
esvazie sua mente encontre a constância
Não arranque a benfeitoria desse momento
Não me faça temer
Súplicas em vão.
Volta então sua tal
inconstância.
‘Hell is the incapacity to be other than the creature one finds oneself ordinarily behaving as’Eyeless In Gaza, Aldous Huxley
Então estava faminto, já não havia mais saída, não havia outra escolha. Silenciou. Devorou suas pernas e coxas. Suas vísceras, seus lábios, seus olhos. E por fim, seu coração frio que ainda batia. Tudo por medo de se entregar. Desvaiu-se sem saber.
Crie conceitos
Conceitue
Crie defeitos
Iluda-se
Impeça-me
Afogue-se em suas lágrimas
E viva em paz.
Mente vazia
Soldados e espadas
fardados, corajosos
palácios reais
bailarinas a girar
coreografias e lampejos
Medos e manias
Guerras e dor
Frio, pudor
Traição, romance
Ficção, comédia
Averso, verso
tinta e pano
Amor e gerúndio
preto e branco
eu, sã.
eu
só.
Eram meus desejos
Minhas melodias
Meus aconchegos
Eram meus
Meus gostos
Meus remédios
Minhas noias
Minhas
Eram minhas manias
Era meu ponto de vista
Minhas roupas
Meus amigos
Eram minhas
Era meu fracasso
Minha vitória
Era minha
Era eu.
Era só mais um.
E então pôs-me a dormir e cantarolava canções e versos sem sentido. Sentia sua respiração quente invadindo todo meu ser, minha vida e meus desejos. Eu sentia suas curvas, mas dessa vez planejadas simetricamente com as minhas. Eu naveguei em seus cabelos pôs sobre o travesseiro, feito murmurinho, feito ondas, feito pra mim. Eu sentia suas mãos nas minhas. Eu sentia sua pele e seus arrepios. Desnuda, crua. Eu sentia suas garras me fazendo de presa. Eu sentia suas dores e luxúrias. Eu sentia seus prazeres e delírios. Eu sentia seus pés em minha pele. Eu sentia seus beijos e seu joelho se apoiando em mim. Eu sentia você. Eu balbuciei seu nome. E ela não ouviu.
Éramos um par
nada nos separava
nem a dor
nem o cansaço
nem o arrependimento
Não podia desistir
era o que era.
Fazer de um pedaço de papel um quadro
Fazer da mesa de estudo um livro
Fazer minha vida preto, branco e azul
Vem me fazer sorrir,
Vem desenhar em mim.
Pode rabiscar, e limpar
com saliva mesmo, pode deixar
Até que mais tarde o encanto se quebre
Cadê o papel?
Cadê os maiores pingos nos “is”?
Morreu, sem saber.
